Não há lugares marcados

[Na Prática]

Conheces alguém, sentes-te atraído/a, a pessoa demonstra o mesmo, começam a namorar, “casam”, têm filhos (se não têm, começam a ser bombardeados de perguntas), passado uns anos, morrem. Final feliz. Soa-te familiar?

Há tempos, li uma frase tão bonita… dizia algo do estilo: “O nosso casamento dura há mais de 50 anos, porque somos de um tempo em que, quando alguma coisa se partia, nós consertávamos, ao invés de deitar fora, como se faz hoje.” É uma frase bonita e injusta – parece-me. Como podemos julgar o tempo presente com base em “realidades” passadas?

Podemos entrar em exercícios de auto comiseração nostálgica e dizer que “antigamente é que era”. Que hoje não há respeito pelo compromisso, etc. Como se tivéssemos todos apanhado um vírus “maléfico” e agora já “ninguém está para se esforçar, para manter um relacionamento, para entrar num entendimento, etc. Interessava saber se a senhora era independente? Talvez no tempo deles não, mas hoje, sim. É interessante, porque quando pensamos que não temos escolha, criamos ou mantemos essa realidade, de não ter escolha – seja em que tempo for.

Ou pelo contrário, podemos pensar de formas que nos ajudam a chegar à verdade de cada um – e de nós próprios. Respeitando cada um, e a sua liberdade de escolha.
Em termos abstratos, podemos dizer que em sociedades ocidentais, o Eu ganhou força. Ouve-se muito frases como “Eu sou a pessoa mais importante do meu mundo, mais nada” e cenas afins, como a importância de parecer confiante, inteligente, mais bonito, mais capaz.

O ritmo em que a maior parte de nós vive é acelerado. A tecnologia aproxima-nos e afasta-nos uns dos outros. Tudo isto exerce influência sobre nós… Como é que te influencia a ti? E como influencia o teu relacionamento?

E o tempo… o tempo é incrível. Faz mesmo maravilhas a relativizar as coisas… mas não sempre.
Curiosamente, num desses programas da manhã apareceu um casal (de velhinhos) dito “de sucesso”, também  casados há imensos anos. A apresentadora caiu na tentação de perguntar sobre a fidelidade do homem.
Ui, foi incrível ver um casamento de décadas a ruir em directo… a esposa já sabia, mas o país todo não precisava de saber, pois não?
…as aparências são e sempre foram um embuste, seja em que tempo for.

E então, hoje estamos condenados à insegurança? Devemos ter muito cuidado com o que fazemos? Se nos casamos cedo ou tarde, se temos filhos, se compramos casa juntos, se começamos um relacionamento? Se nada é certo… Se, se, se… (uff)!
Se quisermos olhar para as coisas dessa forma, sim… Tudo em que acreditamos fortalece-se no nosso sistema, no nosso corpo e manifesta-se no nosso comportamento, consequentemente na nossa realidade. Gostas desta realidade?

Acredito que o medo raramente foi bom conselheiro
Lembras-te dos dois medos primordiais de que falámos aqui, há tempos?
Tenho por hábito questionar a origem dos meus medos. Procuro desconstruí-los e chegar a significados que me ajudem a procurar soluções e sentir-me melhor, em vez de me afundar em mais medo…
amor-teoria-lugares

Aceitar que a mudança é uma realidade incontornável, é uma atitude que pode ser uma bênção que damos a nós próprios. Que as promessas (que fizemos, que recebemos, e que vamos fazer/receber) podem ser “sempre” verdadeiras e podemos acreditar nelas, tendo a humildade de entender que quem as fez já não existe (…mudamos a todo instante). E estarmos agradecidos por ter sentido e passado experiências tão boas. 🙂

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”  Antoine de Saint-Exupéry

Cada vez mais reservo momentos para ficar atenta, imbuída, em paz (enquanto danço/ouço música, enquanto medito ou contemplo uma paisagem que me mostra que há coisas bem maiores do que os meus problemas). Porque eu sei que, se chegar mais vezes a este estado de calma, encontro a minha segurança. Aquela que ninguém me pode dar, nem tirar. O sítio onde confiamos em nós, no nosso percurso, consequentemente no nosso amor.

Este estado permite-nos atrair o que queremos e ajuda-nos a agir em conformidade com o “nosso” tempo, o nosso espaço, a nossa evolução. Se soubermos o que queremos! 😉

Chegando mais vezes a esse lugar de segurança, fluímos mais vezes, cada vez mais vezes… até que “fluir” se torna no nosso estado mais natural, no dia-a-dia (como acontece com qualquer outro hábito que queiramos desenvolver). Em nós e com o nosso amor.

Então, esquece os lugares marcados no amor, se estiveres num relacionamento, deixa voar quem amas, olha e trata o teu amor como se se tivessem acabado de conhecer! Mostra-lhe quem és hoje – sem jogos nem cobranças. Quem sabe isso não fará muito mais pelo vosso relacionamento, do que qualquer convenção ou palavra dita há milénios?

Se não estiveres num relacionamento, esquece também tu os lugares marcados no amor. Fica atent@ às portas que se abrem e às portas que estão fechadas. Conhece-te, enamora-te, faz por conhecer pessoas novas e permanece curios@, pois neste mundo de mudança e incerteza, tudo pode acontecer num estalar de dedos.

Votos de conscientes mudanças e atitudes, com muito amor, é o que te desejo!

[BC]


Fotografia ©Wally Tiketitoo

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