Dar-te asas faz-me voar

[Na Prática]

let go“Se não me puder separar daquilo que hoje não está presente, não poderei ficar livre para me vincular àquilo que neste momento, sim, está aqui comigo.”

Registei esta frase em tempos… onde a li, onde a senti, ou onde a pensei, não sei. Sei apenas que a descobri nas minhas notas e me parece uma excelente forma de dar início a este espaço de reflexão sobre o amor. Decido assim começar por falar de desapego… essa arte, essa capacidade, competência ou força que nos permite olhar para algo de forma distanciada, como se de uma câmara que capta momentos se tratasse, sem julgamento. Algo de que tantos fogem, pela necessidade da certeza e algo que tantos procuram, de certa forma “apegada” (talvez como eu…).

Evoluí, ao longo dos tempos, das histórias e das relações (de todos os tipos), em relação a “ele” – o desapego. Esta evolução faz-me sentir mais forte, mais eu e mais “tua”. Primeiro porque fez parte de um processo continuado de auto reflexão, conhecendo o que me apazigua e o que me desconcerta… depois porque pude perceber também nos outros o impacto que o “seu” antónimo – o apego, muitas vezes, traz.

Apego-me 🙂 muitas vezes a esta incessante vontade de questionar o porquê de tanto apego… às coisas, às ideias, às emoções, às pessoas… e vejo sempre presente a reflexão (em inúmeras horas de conversa), sobre se o facto de nos desapegarmos das coisas/pessoas faz com que lhes tenhamos menos amor. Muitas vezes acreditei que sim… hoje acredito que fazê-lo, pode sim aumentar, de forma descomplicada, esse tal amor.
Amar tanto que o que se deseja para a pessoa (já que aqui “em teoria” falamos de amor romântico), é que ela esteja bem, com ou sem a nossa presença, acarinhando a ideia de a ver feliz. O que tiver de ser… será… e isso dá-me paz para viver o momento.

Creio que sei quando comecei a desenvolver ainda mais em mim essa capacidade… durante a meditação. Quando percebi a delícia de observar os pensamentos que por mim passavam, aceitando apenas a sua presença e percebendo que quando surgem me querem assinalar algo, apenas. O que faço depois com isso, a atenção que lhes dou, sou eu que escolho, na medida que a quiser usar e alimentar. Senti, naquele momento, que estava, educada e delicadamente,  a desapegar-me deles. Pouco a pouco passei a fazê-lo com circunstâncias e, acima de tudo, com os pensamentos que me geravam emoções que preferia não ter (sim, sou selectiva… E isto impactou em muito nas minhas relações. Dou o que dou porque quero dar e quando o quero fazer… porque me faz bem e feliz…  procuro o que procuro também porque e enquanto me faz feliz.

E quando sinto que o apego me “aperta”… bom… nessa altura medito… mais cedo ou mais tarde o meu inconsciente t(i)rar-me-á o “des” necessário… 🙂

Hoje sou mais consciente disso, e “isso” faz-me tão bem…
Identifico-me cada vez mais com uma frase que leio de quando em vez no quarto dos meus sobrinhos:

“Dá a quem amas: asas para voar,  raízes para voltar e motivos para ficar.” Dalai Lama

O que me leva a pensar em formas específicas de o fazer…. num próximo post.
Pensando que o nosso cérebro não processa o “não”, dou por mim a reler a frase que dá início a este post e a sorrir… pois tudo está presente em nós e ainda bem… importa mesmo é perceber qual o seu impacto no nosso coração e dar-lhe maior ou menor importância em função do sorriso que nos faz sentir… 🙂

[MJL]

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3 thoughts on “Dar-te asas faz-me voar

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