O que fica depois do amor

[Na Prática]

Conheces alguém, enamoras-te, enamoram-se, envolvem-se, vivem felizes para o “vosso” sempre. Às vezes este “para sempre” tem uma interrupção e, quando menos esperas, vês a vossa relação (amorosa) a terminar.

Questionas-te: O que fiz para merecer isto? Como vou viver sem esta pessoa? Como vou viver sozinh@? Como recomeço uma vida apenas comigo?

No final deste dia, no final desta relação, o que pensas de ti? O que pensas da pessoa com quem acabaste de terminar uma relação? Em algum momento te sentiste capaz de gostar mais dessa pessoa pela coragem que tiveram juntos, de se separarem, do que magoad@ por o terem feito?

Muitas vezes ouço pessoas a falar da sua “até agora, metade”, como alguém de quem não querem ouvir falar, ver ou conversar. Com rancor, distanciamento e indiferença que (ainda que compreenda que seja a sua escolha, muitas vezes gerada por um histórico pouco saudável), felizmente não consigo perceber, por nunca o ter sentido.

Serei, talvez, uma privilegiada (e cada vez mais acredito que sim), por recordar cada pessoa que se cruzou comigo na minha vida (numa perspectiva romântica), de forma o-que-fica-amor-teoriacarinhosa (ainda que, de algumas delas, distanciada).

Esta semana li uma “declaração” entre “amores amigos” (aquele tipo tão bonito de casais que se respeitam, acima de tudo, pelo que cada um é), que validou o tipo de relação que me parece verdadeiramente forte, robusta e capaz de caminhar toda uma vida lado a lado, ainda que, em alguns casos, através de estradas diferentes.

“- Vocês são amigos?

– Sim.

– Parecem namorados.

–  Somos também…”

Tenho esse privilégio. Tenho ao meu lado na estrada alguém que, comigo, soube ver que depois do amor, só podia mesmo haver amor.

É um tipo de amor diferente, é verdade, mas é aquele que ninguém tem medo de perder pois é incondicional. Aquele que desejamos ter pois envolve respeito, carinho, conhecimento quase absoluto para nos “chamar à terra”, sem ferir.

Daqueles que nos elevam bem alto, para o melhor que somos, pois conhecem os níveis e estádios que nos levam, enquanto pessoas, àquilo que nos faz felizes e aquilo que nos deixa tristes e sem esperança.

Essa pessoa que cuida de nós sem esperar nada em troca, só porque somos alguém tão importante na sua vida, que quer mais é que sejamos felizes (mesmo que de si tenhamos de nos afastar).

Essa pessoa que se orgulha dos nossos passos de uma forma tão genuína que nos deixa felizes só por o sentir e nos faz perceber que fomos verdadeiramente corajosos (quando nem nos tínhamos apercebido disso).

Essa pessoa que nos lembra constantemente o melhor que somos e o valor que temos.

Essa pessoa que nos diz para irmos para longe, se sentir que isso é o melhor do mundo para nós enquanto indivíduos, mesmo sabendo que o seu coração ficará “fora do seu peito”. Essa pessoa que faz isso pois sabe que esse amor é maior do que o mundo e que o mundo não será nunca uma limitação para o que nos une.

Essa pessoa que não se limita nem critica o tempo que estamos sem nos falar, aproveitando apenas esse “afastamento temporal” para alimentar mais e mais a saudade que tornará o próximo abraço o mais terno de sempre, até ao próximo…

Essa pessoa com quem temos a coragem de tomar a decisão de “precisamos de mais do que somos juntos”, pois ambos queremos o melhor do mundo um para o outro. Essa pessoa com quem choramos lágrimas de amor, que caem num poço de amizade, por essa decisão, por sabermos quão difícil vai ser e, mesmo assim, com a esperança do bem que nos vai fazer.

Essa pessoa com quem rimos e choramos horas a fio, explorando o que de bom e desafiante vivemos ao longo da nossa relação amorosa, na expectativa de nos trazer ensinamentos para os nossos novos amores românticos. Essa pessoa com quem aprendemos todos os dias.

Essas pessoas que continuam a ser da nossa família, por muitas outras famílias que venhamos a receber, com igual carinho. E sabemos isso pois há espaço para todas, o nosso amor é infinito.

Quando isto existe durante o amor, só o amor pode restar, mesmo quando “gostar não for suficiente”. Em alguns momentos da vida, mesmo com tudo isto, as nossas estradas tornam-se paralelas, em vez de serem uma única. Está tudo bem. Vamos tendo intersecções, cruzamentos, às vezes sinais proibidos e outras vezes sinais de que aqui está a prioridade. No final do dia, ainda assim, sabemos que aquela pessoa estará sempre lá para nós, com uma palavra de carinho, pois já fomos “um” e vivemos, há uns tempos atrás essa unicidade, com curiosidade, respeito e amor. Quando tal aconteceu, como deixar isso para trás?

Quando tal aconteceu só pode mesmo ficar o amor da amizade e esse amor é isto…

“A amizade é a forma mais alta e desprendida do amor.”

Manuel António Pina

Sou mesmo uma privilegiada… ❤

[MJL]

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4 thoughts on “O que fica depois do amor

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