Tudo muda

[Na Prática]

Tipicamente sou aversa a generalizações. Porque hoje quero falar de mudanças, vou fazer diferente, porque sinto diferente. Hoje atrevo-me a dizer: tudo muda. É uma inevitabilidade. Geralmente a mudança apanha-nos de surpresa (às vezes é boa, outras pesarosa) e, ainda assim, é bom aceitarmos que ela vai existir na nossa vida.
Quando não nos adaptamos a ela, vivemos ancorados a momentos que tiveram a sua magia num determinado instante, em que o seu contexto os tornou únicos e corremos o risco de ficar permanentemente ligados a algo que já não existe (não significa que se tornou pior… possivelmente apenas evoluiu para algo diferente) e que nos ocupa um espaço que já não é seu. Afasta-nos dos nossos novos momentos, do agora. Reconheces isto?

É pouco provável voltarmos a ter este exacto momento, este instante repetido na nossa vida. Este, assim como o estamos a viver, nestas circunstâncias, com esta sensação… este (“aquele”, aliás :)), não voltará a ser o mesmo, por muitos parecidos que venhamos a ter na vida. Por isso tudo: RELAXA. 🙂

Nos últimos meses, mais do que nunca, tenho vivido esta realidade. Até as coisas que nos parecem imutáveis e as pessoas que vivem de acordo com determinados valores, podem mudar. Às vezes basta um segundo para uma realidade que nos é familiar ser apagada e a nossa percepção em relação a essa “vida” ou pessoa não mais voltar a ser a mesma.

Uma coisa é falar dos pequenos sabores e prazeres da vida modificarem (gostar de legumes e música portuguesa era algo que não imaginava possível em miúda… :)). Outra coisa é quando as dinâmicas da nossa vida, as pessoas que por ela passam e a forma como olhamos para todas elas, se transforma. Muitas vezes apenas na nossa percepção, de nós e dos outros e, outras vezes, geradas pelas dinâmicas da vida que nos aproximam e afastam de diferentes pessoas.

É fácil quando as mudanças chegam inesperadamente e nos brindam com uma série de emoções positivas, deixando-nos borboletando por aí, com uma sensação de leveza e de que tudo está no lugar certo, na hora certa. Estas mudanças também nos podem gerar algum tipo de inquietude, pela imensidão de boas energias que por vezes nos parecem fugir do controle de tão boas que são. 🙂 Dão-nos uma espécie de medo, nervoso miudinho, mas fazem-nos adormecer com um sorriso nos lábios e com a certeza de que nos vão rechear de boas memórias. Perfeito. É mesmo muito fácil habituarmo-nos a estas mudanças e às pessoas (novas ou de sempre) que no-las permitem viver. 🙂

A questão está no que fazer quando as mudanças que chegam nos abalroam por completo, fazendo-nos questionar toda a uma realidade que já vivemos? Às vezes coloca em causa toda uma história de amor profundo porque algo, simplesmente, mudou. Leva algumas pessoas a falar de quem as acompanhou com tristeza e por vezes mágoa, como se a realidade que tiveram com alguém, nesse momento do passado, não tivesse existido.

Aceita. ❤ As mudanças acontecem. Olha para cada uma isoladamente. Permite-te sentir o que tens a sentir em relação a cada uma delas. Permite que cada uma tenha o seu momento e que as memórias que cada uma te traz venham isoladas em pequenas caixas, para quando precisares de sentir amor, pegares nas caixas certas e para quando escolheres sentir algo diferente, saberes exactamente as memórias que deves ir buscar. Evita que memórias negativas “atropelem” e “apaguem” memórias bonitas que construíste na vida, porque todas elas te serão, certamente, úteis. Porque também as mudanças que nos parecem ser menos positivas estarão no lugar certo, na hora certa (e, acredita… sei que por vezes é bem desafiante acreditar nisto). Ainda assim, escolho acreditar.

Muitas destas mudanças envolvem pessoas para quem passamos a olhar, sentir e com quem passamos a relacionar-nos de forma diferente na nossa vida. E esta mudança significa apenas uma coisa: evolução. Cada uma destas pessoas tem/teve na nossa vida o valor que precisava de ter. 🙂 Isto conforta-me.
Quando li este trecho de um texto do Elephant Journal, foi inevitável sorrir. Sou grata por cada pessoa que passou na minha vida. Nas que escolheram ficar e nas que (por diferentes motivos) se afastaram ou deixaram de estar.

(…) We will start to see other people as butterflies, floating in and out of our lives, offering beauty and tranquility whenever we are blessed with their presence. We do not need to catch and hold onto a butterfly to appreciate it. Nor do we ever need to do this with any person that we have been gifted the honor to get to know.

Alex Myles

Todos borboletamos, todos mudamos e, ainda assim… todos contribuímos para pedacinhos de magia na vida uns dos outros. Se todos nos apreciarmos como lindas borboletas na vida uns dos outros e se percebermos como é bonita a forma como elas se transformam, talvez seja mais fácil aceitar algumas mudanças.

Adorei esta metáfora. Que te sirva como a mim. ❤

[MJL]

Advertisement

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s