Já apanhaste o vírus do auto-piloto?

[E na Prática]

É como um vírus. Tem sintomas dos quais nos vamos apercebendo, mas vamos relevando, dando desculpas para o que sentimos e se comentamos com um/a amigo/a, a pessoa diz “é normal”.

É normal.

Numa altura em que a normalidade dos dias está a voltar, apesar de andarmos todos  “mascarados”, pode fazer sentido olharmos para o dia-a-dia que se (re)instala… em auto piloto. Um hoje muito parecido ao ontem, igual ao dia anterior, igual ao anterior, com fins de semanas muito parecidos com  fins de semana anteriores…  Quando aos poucos o tempo e a vida passam sem nos darmos conta.

A partilha de hoje é sobre isto: a vida em auto-piloto – consequentemente viver igualmente as nossas relações em auto-piloto -, como “apagar” este condicionamento! Trata-se de um artigo de Toni Parker, terapeuta certificada Gottman, que resolvemos traduzir para ti.

Esperamos que esta reflexão te seja tão útil como é para nós. E quem sabe aproveitas (aproveitam) para iniciar uma semana de forma diferente! Que o que for para ser “igual”, que seja em consciência. 🙂

“Como apagar o autopiloto nas relações” 

“São 6:30 da manhã e o alarme dispara. Apesar de preferires ficar embrulhada/a no caloroso aconchego dos teus cobertores, tudo o que tens de fazer hoje inunda a tua cabeça e o teu corpo, fazendo-te saltar da cama.

O piloto automático entrou em acção.

Começas a mover-te durante o teu dia como se estivesses a acelerar numa auto-estrada, conduzindo como se estivesses hipnotizada/o, passando de uma tarefa para a outra. Deixas as crianças na escola, vais para o trabalho, vais a reuniões, entras em conflito com um colega de trabalho, vais buscar as crianças à escola, corres para o treino de futebol, chegas a casa para fazer o jantar, ajudas as crianças com os trabalhos de casa, dás de comer ao cão, limpas a cozinha, ouves o que o teu cônjuge te diz sobre o seu dia, e pões as crianças na cama.

Fazes uma breve pausa e voltas a cair na cama, só para recomeçar tudo de novo às 6:30 da manhã seguinte. A dada altura, podes sentir um borbulhar de raiva e ressentimento.

“É realmente esta a minha vida?”

Esta é a tua vida em piloto automático: meio-desperta/o, frustrada/o, desligada/o de ti e dos que te rodeiam. Claro que precisas e queres “estar lá” para os teus filhos, para o teu cônjuge e para os teus colegas de trabalho, mas a tua voz interior não pode deixar de gritar: “Tem de haver uma maneira melhor!”

Como se sai do piloto automático para poder viver realmente? Tudo começa por mudar o teu foco. A chave é tomar consciência dos teus sentimentos, hábitos, padrões e “ocupações” gerais, para que possas aprender a sair conscientemente no momento em que reparas que te estás a entrar no comportamento de auto-piloto.

Abaixo estão três estratégias para desengatar o piloto automático e viver uma vida acordada:

1. Sintoniza-te

O primeiro passo para uma vida consciente é sintonizar com o que estás a sentir. Tomar consciência de tudo o que o teu corpo está a mostrar-te. Por exemplo, ao tomar um duche, concentra-te em como sentes a água enquanto ela corre pelas tuas costas. Enquanto tomas o teu café da manhã, chá ou sumo, toma um momento para desfrutar de cada gole em vez de o engolir. Faz pausas durante o dia, concentra-te realmente em como te sentes ao interagires com os teus amigos, colegas de trabalho e com aqueles que amas. Fica atenta/o às oportunidades de ligação emocional e responde-lhes. A questão aqui é ter consciência do que se sente, ouve, vê e cheira. Fica atenta/o a todas e cada uma das sensações, prestando muita atenção a qualquer sussurro do teu “instinto”.

Ao começar a sintonizar com o teu corpo, vais começar a identificar quando o piloto automático está a assumir o controlo. A partir deste momento, podes escolher aquilo em que te queres concentrar, para ti e dentro das tuas relações.

2. Identifica e define a tua intenção.

Concentra-te na tua relação com o teu companheiro, dedica um momento para te sintonizares com o que queres. Qual é a tua intenção quando estás com ele/a? A tua intenção pode ser ouvir mais profundamente, deixar de culpar e criticar ou simplesmente ser mais honesta/o, vulnerável ou presente. Seja qual for a tua intenção, reserva alguns minutos no início de cada dia para reflectir sobre o resultado desejado.

Com delicadeza e autocompaixão, assume a responsabilidade e liberta o que te impede de te envolveres plenamente. Sem julgamento, fica atenta/o ao que está a acontecer de verdade. Por exemplo, se a tua intenção é aprofundar a ligação com o teu cônjuge, começa por sentir como está a relação, a dinâmica entre vocês os dois.

3. Cria um ritual diário de ligação com o teu cônjuge.

Com este novo foco nos teus sentimentos e intenções, identifica uma actividade ou rotina diária com o teu parceiro onde gostarias de estar mais envolvida/o, atenta/o e empenhado. Por exemplo, tem uma conversa calma onde só fala de stress se este estiver fora da sua relação. Escuta activamente e presta muita atenção ao que o teu parceiro tem a dizer. Qualquer que seja a tua rotina ou actividade diária, compromete-te a dar-lhe toda a sua atenção e concentração. Pergunta-te: “O que realmente importa, aqui e agora?

Ficar preso no piloto automático acontece com qualquer relação, portanto sê paciente e mantém-te concentrada/o no resultado desejado. Para além destes três passos, desvinculares-se do piloto automático e levar uma vida consciente e desperta também envolve ter compaixão por ti e pelos outros, praticar o perdão e viver com o coração aberto.

Desligar o piloto automático permite-te ver a vida de uma nova perspectiva e liberta-te para tomares decisões diferentes e mais conscientes. À medida que começas a fazer escolhas em estado “desperto”, vais notar que as tuas acções começam naturalmente a alinhar-se e a tornar-se mais consistentes com os teus resultados desejados – na tua relação e na tua vida. Aprender a ligares-te a partir de um lugar de presença profunda irá permitir-te ouvir o que o teu coração está a dizer, dando-lhe, em última análise, o poder de responder em vez de reagir.”

Toni Parker – Gottman Institute

Imagem: Georgy Rudakov – Unsplash

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