As histórias que criamos

[Na Prática]

Começamos a semana passada com um artigo da nossa inspiradora Brene Brown, e por ele mesmo, resolvemos debruçar-nos de novo (parece que nunca é demais… :)), neste tema sempre tão presente no dia a dia de qualquer relação: a comunicação. A forma simples como Brene nos recorda que as histórias que criamos, nem sempre são as histórias que nos querem contar, levou-nos a pensar nisto como um alerta para: vale a pena falar nisto, de novo. 😉 ❤

Ao ler esse artigo da Brene, surgiram-me na memória diferentes situações próximas, em diferentes contextos. Algumas directamente comigo, outras com pessoas que me rodeiam. Todas com um factor comum: uma interpretação desajustada sobre a intenção do comportamento de alguém.

Reflectindo um pouco sobre isso, atrevo-me a dizer que há sobretudo duas coisas que podem gerar este tipo de situação: espelho e história que resultam em julgamento e crítica – com um impacto directo na história que criamos.

Espelho – até que ponto, quando um comportamento do outro te “tira do sério” ou deixa desconfortável, pode ser um espelho de ti próprio(a) ou ativar questões tuas que pensavas estarem resolvidas? Simplificando… Revês um comportamento teu naquela atitude, ainda que de forma muito velada, ou deixas que o comentário / atitude de alguém te faça questionar quem és ou como és? Tal como Brene refere no seu artigo, é fácil isto acontecer. Por exemplo: se a pessoa deixa de me prestar tanta atenção, é fácil assumir que tem a ver comigo e com as minhas “falhas” ou “comportamento”. Ao fazê-lo, de certa forma, estou a deixar que o comportamento do outro active um comportamento meu.

História – com história refiro-me ao passado. Nosso ou de pessoas próximas em que associamos um determinado comportamento a um resultado específico o que, quando o resultado conhecido não nos é muito querido, nos pode deixar altamente desconfortáveis… Imagina, por exemplo, que numa relação do passado viveste uma situação em que o teu namorado(a) começou a estar mais distante o que se reflectiu numa redução de sms diárias e que associaste isso ao “fim da relação”, de forma directa ou indirecta. Pode acontecer que se uma situação semelhante surgir com o novo parceiro(a), o trigger da ideia “a relação está perto do fim”, surja. 😉 Será mesmo verdade?

Julgamento e crítica – É fácil quando contextos semelhantes aos anteriores surgem, “histórias” sejam criadas na nossa cabeça e coração. 🙂 Estes julgamentos podem muitas vezes levar-nos a criar uma história que não é necessariamente aquela que o outro quer reflectir com o seu comportamento ou mudança de atitude (que, muitas vezes, nem sequer tem uma intenção, é meramente circunstancial). Ainda assim, quando a forma como reagimos é de crítica e julgamento, sem margem para conversa, assumindo que a nossa verdade é “a” verdade absoluta, a probabilidade de algo correr menos bem, pode ser grande.

Atrevo-me a dizer que há três exercícios simples que podemos fazer para minimizar o impacto negativo de uma interpretação desajustada do que o que o outro quer dizer, com determinado comportamento:

  1. Vira o foco para ti – antes de questionares o outro, faz sentido colocares-te algumas questões (para perceberes os espelhos…): estás, de alguma forma a agir como achas que a outra parte age, nesta situação? Tens manifestado comportamentos semelhantes aos que encontras no outro, neste momento? O que é que aquilo que estás a sentir neste momento, com o comportamento do outro, te pode dizer sobre ti?
  2. Pratica a compaixãocoloca-te no lugar do outro e tenta perceber, pelos seus olhos, o que o pode estar a levar a ter aquele comportamento / reacção. Há alguma situação que vos seja externa, que possa estar a condicionar aquele tipo de comportamento? Há algo que possas fazer para ajudar?
  3. Expõe o que te preocupa – expõe-te, com vulnerabilidade e confiança, partilhando o que te vai na alma e de que forma aquele comportamento da outra parte te está a afectar. Fá-lo sem expectativa de ajuste de comportamento, mas com a transparência de quem quer partilhar o que lhe vai na alma aumentando a probabilidade de, juntos, chegarem a um caminho a dois.

Acima de tudo, lembra-te que a vida (e esta relação) está a ser escrita, no momento, com cada decisão e escolhas que fazem individualmente e a dois, também nas histórias que criam. 🙂

Duas pessoas têm lentes diferentes na análise de cada situação e diferentes formas de expressar o seu amor e por isso é importante ter presente que,  pelo facto de veres / sentires as coisas de determinada forma, não é indicador directo de que a outra parte use dos mesmos filtros. 😉

Quando nos permitimos ser quem somos, com os nossos receios, as nossas idiossincrasias, sem medos do que a outra pessoa vai pensar pelas partilhas que fazemos, e mostramos abertura para receber isto da outra parte, atrevo-me a dizer que existirá um espaço maior e comum para uma felicidade a dois. Chama-se a isto intimidade. ❤

Que a vida te recheie de boas histórias e que te atrevas a criar todas as que te tornam mais feliz e perto de ti próprio. Quando sentires que a narrativa que estás a criar é só tua e que te está a deixar infeliz, volta atrás neste artigo e repete a fórmula. 😉 ❤

[MJL]

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