Não te posso fazer feliz

No outro dia estava a falar com uma amiga, ela virou-se para mim e disse “Olha, vê lá se eu apareço online.”
– “Hum?” – respondo eu.
– “No messenger – vê lá se estou com a luz verde, agora mesmo.”, diz ela. E passa a explicar…
“É que o meu namorado estava super chateado comigo porque não lhe respondi a uma mensagem, ontem. Passou-se. Dizia que estava online a fazer não sei o quê, e que a ele não respondia. Mas eu nem sequer tinha a janela aberta. E a ele, aparecia como online.”

Equívocos como este acontecem com centenas de casais, diariamente.
E não estou a falar do erro do Facebook.

Refiro-me ao outro equívoco, como o assumir que a outra pessoa Tem de responder a uma mensagem nossa Agora, Já, Imediatamente, senão é porque _____________ (preenche com o que achares melhor 😉 ). Na atual cultura do imediato, a tendência de querer respostas “no momento” está, aparentemente, instalada.

Mas na base deste tipo de sentir, está um engano ainda mais profundo, um que mexe com a nossa história, com o que temos gravado/programado desde crianças.
Este engano pressupõe uma relação directa entre o que o outro faz e o “meu” valor. Ou seja, neste caso, o namorado da minha amiga olhou para a falta de resposta dela, como sinal de maior interesse em “outra coisa” em detrimento dele. Olhar para as coisas desta forma, fez com que ele próprio se sentisse diminuído, ao ponto de se considerar “menos” (interessante, inteligente, importante, bonito, etc), aos olhos dela.

Também eu já senti assim, em tempos. Aos poucos fui-me apercebendo que como o ciúme é uma falta de respeito, principalmente para comigo mesma. (Sem falar na falta de respeito pelo outro, quando a desconfiança resvala em acusações.)

Eu hoje sei que a minha noção de valor próprio depende do meu olhar, apenas.
Quando hoje em dia surge uma sensação parecida, prefiro deixar a poeira assentar.
Só depois disto, falo sobre o que realmente preciso. Com muito respeito, falo sobre o que me incomodou, exponho o que sinto e converso sem grandes “filtros”.

Entretanto, voltando ao que aconteceu:
A certa altura ela perguntou o que havia de fazer, uma vez que ele não acreditava nela.

E a conversa foi mais ou menos assim:

– Diz-lhe que não o podes fazer feliz.
– Como?
– Primeiro diz-lhe o que sentes por ele. De coração aberto, o que for. (Já sabemos que a cena de ciúmes não tem nada a ver com isto. Era pura imaginação dele, baseada em informação errónea do sistema.)

Depois, diz-lhe:
“Não te posso fazer feliz, assim como não te posso “trazer” segurança, nem dar-te certezas absolutas.
Porque a felicidade tem de partir de ti, tal como a segurança e a aceitação do facto de que… não há certezas. A única certeza que tenho, é que quero estar contigo, hoje. Provavelmente amanhã também. Nos restantes “amanhãs” cabe-nos olharmos, sentirmos o caminho e o amor que fazemos… Dia a dia, com muito respeito.”

Diz-lhe também que gostavas que ele confiasse nele mesmo. Preferias que confiasse em ti e que confiasse nele, antes.
Diz-lhe que não achas que os ciúmes sejam um “bom” sinal.
E confessa que também sentes o mesmo, às vezes. Apenas estás a aprender coisas diferentes, que te ajudam a viver muito, muito melhor com as tuas emoções.

Ela agradeceu a partilha, e mandou uma mensagem ao namorado, a dizer que gostava de conversar com ele (mas só no dia seguinte) 😉 .

Beatriz Costa

ps- Já agora, ela aparecia com a luz verde, mesmo estando a falar comigo, sem janelas de messenger abertas. 😀

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