Intimidade e independência

[Na Prática] e [Nas Artes]

Hoje escolhemos para os nossos amorosos leitores um artigo de um blogue que acompanhamos e gostamos muito, o Brain Pickings, assinado por Maria Popova e traduzido para português.
Este fala-nos sobre a necessidade de intimidade no amor, que coexiste com a necessidade de independência. Mostra também, no final, como Kahlil Gibran expôs maravilhosamente o “segredo para uma relação duradoura” no livro “o profeta” (poema que já publicámos aqui, no Amoremteoria, anteriormente).

Deixamos aqui então o artigo, desta vez traduzido. Esperamos que também tu questiones e medites um pouco sobre isto. Para que o Amor seja sempre a base da tua relação. 🙂

““Para quê apaixonarmo-nos, se cada um fica inerciamente como sempre foi?” Mary McCarthy perguntou à sua amiga Hannah Arendt na sua correspondência sobre amor. A pergunta ressoa, porque responde a uma necessidade central do amor – na sua verdadeira força, o amor invariavelmente, muda-nos, descondicionando-nos de patologias que nos fazem sofrer e elevando-nos ao nosso maior, mais alto potencial humano. Permite-nos, como escreveu Barack Obama tão eloquentemente nas suas reflexões sobre o que a sua mãe lhe ensinou sobre amor, “ultrapassar a nossa solidão, e depois, se tivermos sorte, sermos finalmente transformados em algo mais forte.”

Mas no ideal romântico, sobre o qual o nosso moderno mito de amor é construído, a busca desta união é levada a um extremo tal, que torna o amor frágil. Quando é esperado que os amantes se fundam tão profundamente e completamente, esta reciprocidade transforma-se numa paralizante co-dependência – uma firmeza calcificada e rígida, que torna quebradiça a possibilidade de crescimento.

No mais nutritivo tipo de amor, a comunhão da união coexiste com uma proteção da individualidade, os dois aspectos que estão sempre em dinâmico e fluído diálogo. O filósofo Martin Heidegger capturou esta ideia de forma lindíssima, nas suas cartas de amor para Hannah Arendt: “Porque o amor é tão rico, para além de todas as possíveis experiências humanas, e um doce fardo para aqueles que se focam no seu domínio? Porque nós tornam-nos no que amamos e mesmo assim, permanecemos nós próprios.”

Este difícil equilíbrio de intimidade e independência é o que o grande artista, poeta e filósofo Libanês-americano  Kahlil Gibran (6 de janeiro, 1883– 10 de Abril, 1931) explora com um discernimento fora do comum, e poética precisão, numa passagem da sua obra prima “O profeta”, de 1923.

(O segredo de um casamento duradouro e feliz:)

Permiti que haja espaços na vossa união.

Permiti que os ventos celestiais possam dançar entre vós.

Amem-se, mas não façais do amor uma prisão.

Deixem antes que seja um mar ondulante por entre as orlas das vossas almas

Encham a taça um do outro, mas não bebam da mesma taça.

Dêem do vosso pão um ao outro, mas não comam do mesmo pedaço.

Cantem e dancem juntos e fiquem contentes, mas deixem que cada um fique só.

Até as cordas de uma lira estão sozinhas, embora vibrem ao som de umma mesma melodia.
Entreguem os vossos corações, mas não à guarda um do outro.

Pois só a mão da Vida pode conter os vossos corações.

E permanecei juntos, mas não demasiado perto: pois os pilares do templo estão apartados,

E o carvalho e o cipestre não crescem na sombra um do outro.

Kahlil Gibran – O profeta”

Podem ler o artigo original, aqui.

Permaneçam amorosos!

🙂 ❤

 

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