O Amor e o velho barqueiro

[Na Prática]
Ao chegar à margem do grande rio, o Amor avistou três barqueiros que se encontravam indolentes, recostados nas pedras.

Dirigiu-se ao primeiro:

– Queres, meu bom amigo, levar-me para a outra margem do rio?

Respondeu o interpelado, com voz triste, cheio de angústia:

– Não posso, menino! É impossível para mim!

O Amor recorreu, então, ao segundo barqueiro, que se divertia em atirar pedrinhas no seio tumultuoso da correnteza.

– Não. Não posso – recusou secamente.

O terceiro e último barqueiro, que parecia o mais velho, não esperou que o Amor viesse pedir-lhe auxílio. Levantou-se, tranquilo, e, estendendo-lhe, bondoso, a larga mão forte, disse-lhe:

– Vem comigo, menino! Levo-te sem demora para o outro lado.

No meio da travessia, notando o amor a segurança com que o velho barqueiro barquejava, perguntou-lhe:

– Quem és tu? Quem são aqueles dois que se recusaram a atender ao meu pedido?

– Menino – respondeu, paciente, o bom remador: – O primeiro é o Sofrimento; o segundo é o Desprezo.

Bem sabes que o Sofrimento e o Desprezo não fazem passar o Amor!

– E tu, quem és, afinal?

– Eu sou o Tempo, meu filho – atalhou o velho barqueiro. E continuou a remar, numa cadência certa, como se o movimento de seus braços possantes fosse regulado por um pêndulo invisível e eterno.

(Autor desconhecido)
🙂

Advertisement

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s