Amores imperfeitos

[Na Prática]

Procuramos a perfeição. Procuramos encontrar no outro aquele espaço de conforto que nos faz ser quem somos e viver a nossa história a dois como a idealizamos. É bom sonhar e acima de tudo é bom viver. 🙂 É maravilhoso quando a vida (através de nós), se encarrega de nos levar para onde queremos estar e com quem queremos estar. Ainda assim, mesmo quando estamos “lá”, pode ser relativamente fácil encontrarmos as falhas, as coisas que fogem àquilo que verdadeiramente esperávamos (por muito que tudo o resto seja muito próximo do idealizado). Nestas alturas podemos sentir a necessidade de escolher.

Se às vezes parece mais fácil fugir do que nos parece imperfeito e insuficiente? Sim. Se na maior parte das coisas, mais cedo ou mais tarde podemos encontrar detalhes diferentes do planeado ou que gostávamos que fossem diferentes? Sim outra vez. 🙂

Gostamos muito de pensar e incluir na nossa dinâmica do dia-a-dia o que descobrimos tão bem descrito por uma visão do mundo japonês centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição – o wabi-sabi. Esta concepção estética é muitas vezes descrita como a do belo que é “imperfeito, impermanente e incompleto” e estão representados na produção artística através do rústico, do imperfeito, do monocromático e do aspecto natural (in wikipédia).

“Através de wabi e sabi é possível o alcance do vazio da mente que traz tranquilidade. wabi significa “quietude” e sabi “simplicidade”, e expressam-se através da querença que os japoneses possuem por simplicidade e subtileza.”
in Wikipédia

Associamos esta concepção estética à capacidade de aceitar o que é diferente do que esperamos, de olharmos para o que nos parece imperfeito, impermanente e incompleto como parte da vida e da nossa história, o que faz com que a vida e, por consequência as relações, seja vivida de forma ligeira e plena. É na aceitação das imperfeições e na impermanência que muitas vezes encontramos as maiores provas de amor e que vemos as relações a serem duradouras e vividas através de um companheirismo estonteantemente mágico.

Vale a pena parar, olhar para a vida e pensar em que imperfeições, impermanência e estados incompletos nos encontramos e de que forma cada um deles nos levou a viver cada segundo da nossa vida e nos transformou em quem somos. E… sabes? Se às vezes as coisas não estiverem a correr exactamente como planeaste, está tudo bem. Saboreia o gosto da imperfeição que nada mais é do que a diferença e na maior parte das vezes, diria que vais sentir a magia da aceitação, companheirismo e amor pelo caminho.

Procuramos a perfeição, é verdade, mas é quando imperfeição e o inesperado surgem que o nosso amor é colocado à prova, que as almas se conhecem na totalidade e que em conjunto percebem como lidar com elas. É na vulnerabilidade com que mostramos as nossas imperfeições e na disponibilidade com que olhamos e aceitamos as do outro, que poderá residir um dos maiores focos de conexão da relação, através da confiança.

Que o imperfeito, impermanente e incompleto te ajude a seres cada vez mais quem és e aceitares cada vez melhor o ser “perfeito” por quem te apaixonaste, apaixonas e apaixonarás no dia-a-dia.

[MJL]

 

 

 

 

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