Não preciso de ti

[Na Prática]

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A história deste artigo começou assim, com esta frase, numa conversa de amigos.
“Não preciso de ti.” E é verdade. E bom. 🙂

Nesse momento reforcei a ideia de que a maior delícia que podemos ter numa relação é não precisarmos uns dos outros para sermos felizes. Ainda assim, a presença de algumas pessoas na nossa vida torna-a ainda mais colorida e doce. Isso é uma coisa diferente. Ainda assim, mesmo quando essas pessoas não estão, continuamos a ver a vida com as nossas cores e doçura. Às vezes, na interacção com os outros, só muda o sabor porque a certeza da felicidade está lá, em nós.

Poder dizer a alguém que não precisamos dele ou dela, será uma das melhores coisas que podemos dizer. Significa que enquanto pessoas somos unas, somos inteiras e temos uma vida que nos completa. A outra parte vem e acrescenta mais valor, mais uma dose disto e daquilo, mas a essência, essa está lá connosco. É quando nós não precisamos dos outros para ser felizes que contribuímos também para a sua felicidade. Será talvez o momento em que nos permitimos ser mais nós e dar melhor aquilo que temos para dar – quando sabemos que nos bastamos para sermos felizes.

Acredito que a ideia do “precisar de alguém” pode ser romantizada, numa perspectiva de querer mostrar à pessoa que se ama o quanto é importante para si. Compreendo e aceito. Prefiro uma outra ideia, que considero mais simples, ainda assim nem sempre  imediata e fácil de conseguir. 🙂 Tem a ver com desapego, com o amor incondicional que temos por alguém.

“Não preciso de ti. Mas ter-te perto carrega ainda mais o meu sorriso, enche o meu estômago de borboletas, faz-me cantar mais e novas músicas, faz-me sonhar a dois, faz-me desejar partilhar quem sou, mostrar os meus sítios, apresentar as minhas pessoas, contar as minhas histórias, e tanto mais. Acima de tudo, ter-te perto enche-me de curiosidade: de quem és, como te moves, de que peças és feito, o que te faz agir como ages, conhecer cada pedacinho em ti, lentamente: as tuas músicas, o teu sorriso, as tuas lágrimas, os teus sítios, as tuas histórias, as tuas pessoas e tanto mais…
Não preciso de ti, mas ter-te perto enriquece mesmo a minha vida.”

Não precisarmos um do outro significa que em vez de falarmos da nossa metade falamos um do outro de uma forma completa, como duas peças de fruta que se complementam e fazem um prato colorido e lindo, numa mistura inesperada de sabores e cores.
Isoladas são boas, mas juntas ganham um sabor único, que activa sabores que isoladamente nem seriam percebidos… sumarento, não? 🙂

É um encontro de duas almas a meio do caminho, em que o que cada uma tem para acrescentar à outra é mais importante do que o que precisa de lhe ir buscar.

Quando as histórias se misturam e as gargalhadas são comuns, quando os sítios são dos dois e as memórias construídas nos incluem, as ansiedades se partilham, os sonhos se constroem, o abraço parece ser só um sim, o desafio de mantermos o nosso próprio “sabor” pode ser mais desafiante. Ainda assim, foi esse sabor que criou a salada mais espetacular de sempre. Lembra-te disso. ❤

 

[MJL]

 

 

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