Vês-me?

[Na Prática]

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Numa conversa recente discutia, de forma curiosa, a estranha evolução do amor. Estranha pois, como em tudo na vida, é mutável e invariavelmente, inesperada.
No início, quando nos apaixonamos, tudo é mágico, tudo é novo, tudo é único. E é tão bom… tão completo. Parece que nunca nada poderá abalar esse amor.
E então, o amor começa a evoluir. 🙂

Se umas vezes evolui para algo consistente, em que com o passar dos dias aumenta a certeza de que estarmos juntos é aquilo que mais nos completa, a decisão que nos coloca um sorriso na cara, a peça do puzzle que nos falta, noutras acontece precisamente o oposto.
Com o passar do tempo, a novidade deixa de o ser, a rotina entra-nos pelos poros e, rapidamente podemos deixar escapar os pequenos sinais que outrora nos fizeram apaixonar por alguém. E pode ser fácil isso acontecer.

Costumo, inclusive pensar se não é exactamente aquilo que nos fez apaixonar pela pessoa, que pode vir a constituir, mais tarde, o maior desafio na relação.
Porquê, perguntarão… 🙂 Porque tendemos a encantar-nos com aquilo que é diferente de nós, aquilo que diferencia o outro de nós, pela novidade, surpresa, magia. Esta mesma novidade, a médio longo prazo, começa a ser um constrangimento (se decidirmos encará-lo assim), pois na verdade é verdadeiramente desafiante vivermos permanentemente com a gestão de diferenças. E é neste ponto que podem começar a surgir as primeiras divergências.

A questão é… Devemos desistir ao primeiro contratempo? É mais fácil, é verdade. É mais comum e provavelmente mais indolor. Mas será que o amor o merece?
O que podemos fazer para contrariar a tendência do facilitismo, de desistir porque “não estamos para isso”?

Quando existe vontade de ambas as partes (e esta parte é crítica), o melhor mesmo é conversar, expor o que de mais profundo nos vai na alma, mostrar a nossa vulnerabilidade (sem sentir que ao fazê-lo estamos a perder força…). Pelo contrário… estamos a ganhá-la pois colocamos no espaço comum uma parte da solução… se descobrimos a causa do nosso desconforto numa relação, o melhor que podemos fazer é trabalhar sobre ela, numa solução conjunta. E quão perfeito seria se todos os casais vivessem sobre esta premissa. Percebendo o tanto que podem acrescentar à relação simplesmente falando sobre o que por lá se vai passando. Do conforto e do desconforto. Da alegria e da tristeza. Do passado e do futuro. Tudo seria mais fácil e acredito mesmo que o amor fluiria de forma mais natural.

Não é expectável que as pessoas sejam todas iguais, que tenham as mesmas linhas de pensamento e que imaginem os mesmos cenários…ainda bem! Isso torna a relação bem mais divertida, inesperada e rica, se compreendemos a diferença e a alimentamos, sem julgamento. A questão central está, nessa fase em que as coisas “mudam”, o que estamos dispostos a fazer para, mesmo com lentes diferentes, continuarmos a ver-nos um ao outro com o mesmo amor.

Lembremo-nos que existem 5 linguagens do amor e que, provavelmente, aquilo que me serve como prova de amor, pode ser diferente do que serve ao meu mais que tudo. E agirmos em função do que para si é mais importante, reservando espaço para o que para nós também é, pode ser o caminho para um amor profundo e em ascensão.

O que é preciso para isso? Amar. ❤

[MJL]

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