Movimento a dois

[Na Prática]

#amoremteoria#fluirbolinha
Como te moves?
Se quisesses descrever a alguém a forma como te movimentas, que tipo de movimentos descreverias? Movimentos soltos, fluídos, sem princípio nem fim ou, por outro lado, movimentos mais estruturados, rectos, de alguma forma mecanizados? Lentos ou rápidos? Com quais te identificas e como achas que te representam na tua vida?

A forma como nos movimentamos, para além de muitos outros atributos, tende a ser reflexo da forma como pensamos, agimos e reagimos. Uma vez mais, a pergunta mágica: de que forma o movimento tem a ver com as relações? 🙂

Comecemos pelo básico… és uma pessoa de toque espontâneo? Tomas a iniciativa de tocar no outro ou preferes que ele dê o primeiro passo? Inibes-te de lhe tocar para não invadir o seu espaço, apesar de estares cheio de vontade de o fazer? Sentes vontade que a outra pessoa te toque e não o verbalizas ou, por outro lado, pegas na sua mão e indicas-lhe o teu coração?

Entregas o teu movimento de olhos fechados a outra pessoa e deixas-te fluir? Ou, por outro lado, gostas de ser tu a conduzir a outra pessoa? Mostras o teu corpo ou preferes reservá-lo? Moves-te em direcção a alguém ou a fugir de alguém? Moves-te em ti? Sentes quem és?

É muito interessante pensar nisto… na forma como nos entregamos ao movimento, ao toque e à vida. Qual a importância que damos à forma como as pessoas interpretam o nosso movimento? Que percentagem de nós está em cada passo que damos e quanto sentido de “dever ser” nos molda no dia-a-dia?

“Quem somos está reflectido e manifestado nos nossos corpos”

Trudy Schoop

Hoje mesmo, no final de um exercício de dança e movimento, dei por mim a prestar particular atenção às mensagens que eu sentia que determinadas “escolhas” de movimentos que fiz (entre aspas, pois terão sido feitas ao nível do inconsciente), me enviavam enquanto ser que se relaciona com outros seres. 😀

Foi interessante perceber a dualidade de viver a minha liberdade no movimento e, por outro lado, me limitar na mesma para não entrar no espaço do outro. Como não perguntei se estava ou não a entrar na sua linha de liberdade, condicionei-me automaticamente. Por consequência (e curiosamente), gerei desapontamento, pois do outro lado queriam que eu arriscasse mais no toque (precisamente o que eu queria fazer). Só falamos disso depois. Foi bom, foi uma aprendizagem e ajustaremos no futuro, como podemos fazer também numa vida a dois.
E quando não se fala sobre isso? O que acontece? Quando não mostramos a nossa incerteza, a nossa vontade e curiosidade de explorar mais, para não ferir susceptibilidades, e por podermos mostrar a nossa própria? O que pode acontecer? Nada… 🙂 Se o fizéssemos o que poderia acontecer? Tudo. Inclusive um “pára, não quero que continues”. E com isso saberíamos lidar, pois com a confiança que estávamos a criar, nos sentiríamos mais preparados para isso.

Uma vez mais o tema das expectativas e vulnerabilidade, lado a lado. Imaginas como seria mais fácil, em vez de deixares de fazer aquilo que desejas para não ferir as tais susceptibilidades ou não entrares no espaço do outro, seria mais fácil falares da tua vontade com coragem para que do outro lado a pessoa possa também partilhar a sua opinião?

Já experimentaste fazer um movimento (andar, abraçar, tocar, olhar) diferente do que habitualmente fazes com a tua metade e perceber o que acontece com isso? A mudança e a improvisação no movimento permite-nos experimentar novas formas de ser e de estar a dois, e sobretudo individualmente… E é tão bom.

Faz algumas experiências a dois… Se tendes a ter um toque suave, experimenta, por um momento, torná-lo intenso. Se o tens intenso, experimenta tocar como se fosses uma pena. Se o teu movimento é rápido, abranda-o. Se é lento, acelera-o. Se beijas de olhos abertos, experimenta fechá-los. Se beijas de olhos fechados, observa cada segundo desse beijo… Ousa ser grande, ousa experimentar novas formas, ousa ser diferente, mesmo correndo o risco de não vires(m) a gostar. Pelo menos ousaram fluir de outra forma… quem sabe aprendendo novas formas de fluir.

Experimenta espelhar o outro… e, quando estiverem, num profundo estado de sintonia, tenta perceber quem está a espelhar quem… rapidamente vais perceber que não existe um e outro, que o movimento vos transformou num só ser que se permite fluir. Tudo isto é confiança. Tudo isto é amor.  ❤

[MJL]


Fotografia: Lino Cabral 

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