Quando o amor não chega

[Na Prática]

Hoje escrevo sobre insatisfação e desalinhamento nos relacionamentos. Acontece algumas vezes, se calhar já aconteceu contigo… Aquele momento em que gostavas muito de alguém, eventualmente até amavas essa pessoa, eras correspondid@ e mesmo assim o relacionamento terminou. Será que o amor não cheamor-teoria-chegagava? Será que chega sempre?

Os relacionamentos podem “acabar” por imensos motivos… E há dois que gostava de realçar:
A) Sentimento de insatisfação
B) Sentir que algo não está certo, sentir desalinhamento

No que diz respeito à insatisfação, Anthony Robbins, um ilustre coach norte americano definiu quatro necessidades básicas (mais duas), que explicam porque fazemos aquilo que fazemos (mesmo quando não parece ter muita lógica).
Estas são especialmente relevantes para o mundo dos relacionamentos. São-no para todas as áreas, só que aqui falamos sobre relações amorosas. 😉

O que Robbins mostra, é que todos fazemos algo para preenchermos as ditas necessidades, seja de forma saudável ou não. É muito interessante, pois as necessidades parecem completamente antagónicas.
São estas:
1. A certeza ou segurança, certeza que vais obter prazer e evitar a dor, segurança (quando um casal decide casar ou morar junto, por exemplo, está a fortalecer a “certeza”, provavelmente. Também os rituais amorosos, como dar um beijo de boa noite todos os dias, trazem segurança.)
2. Incerteza ou variedade, necessidade de algo desconhecido, estímulos diferentes, mudança (quando um casal decide fazer uma viagem ou uma experiência diferente para ambos, estão a preencher esta necessidade.)
3. Significância, sentirmo-nos únicos, especiais, sentir que o outro precisa de nós. Dar ou receber um presente (como também vimos nas linguagens do amor), dizer que amamos a pessoa, que el@ é importante para nós, fortalece a noção de significância.
4. Conexão/Amor, (esta é fácil, aqui, certo? 😉 )sentirmo-nos ligados, sentir que há algo mais que nos une. Intimidade… Para fortalecer esta, “basta” estarmos presentes, partilharmos o que sentimos, partilharmos banalidades, rir muito juntos, etc!

As duas últimas estão especialmente relacionadas com a ideia de viver uma vida com significado. São descritas por Robbins como duas “necessidades espirituais”:

5. Crescimento, a necessidade de nos sentirmos em crescimento, que num relacionamento pode ser fortalecida, mais uma vez, com a partilha. Quando por exemplo, o teu mais que tudo estuda algo ou tem um novo hobbie que @ apaixona, a partilha do entusiasmo gera uma energia fantástica… que no casal pode significar crescimento, entreajuda. Aprender algo juntos também é outra forma de a fortalecer.
6. Contribuição, necessidade de contribuir para um mundo melhor, ajudar uma causa ou até outras pessoas individualmente, de uma forma significativa. Cada um pode fazer a sua parte de diversas formas, desde procurar uma maneira de ajudar o planeta, a fazer voluntariado (casais que o fazem ou fizeram juntos reportam experiências maravilhosas), ajudar um amigo, etc!

Há milhões de formas de colmatar estas necessidades. Inclusive é possível com uma só actividade preencher duas, até três necessidades! Exemplo: se um casal fizer uma viagem juntos, estão a preencher: variedade (se for para um sítio diferente), conexão (pois há espaço para sair da rotina e namorar mais) e certeza (pois é certo que vão os dois)! 😉

Por outro lado, se estivermos atentos verdadeiramente, sabemos que determinada necessidade pode estar a ser preenchida, fora da nossa percepção ou fora do local para onde estamos a olhar. Pode não estar a ser é sentido, esse preenchimento. Por exemplo, Variedade ou insegurança: imagina um homem que tem uma namorada ou mulher. É muito fácil, demasiado fácil pensar que aquela pessoa está ali, todos os dias, que é “minha” (até dizemos isso, não é “a Minha namorada” ou a “Minha mulher”… A necessidade de segurança transborda consciente e inconscientemente. Tanto, que a pessoa passa a ser vista como certa, ou como se diz em inglês “granted”.

Uma necessidade preenchida é interessante, super preenchida com alucinações, deixa de ser útil. Ninguém é de ninguém… Quando olhares para o teu/tua mais que tudo, lembra-te disso. Valoriza-@, e ao que vocês têm, não te deixes adormecer… acorda! A variedade está lá, na realidade, pois tudo pode mudar num estalar de dedos. Porque ambos mudam a todo o instante. Só que aparece difusa (para uma grande parte das pessoas, digo).

Tudo isto para te dizer: que se aumentarmos a percepção relativamente às nossas necessidades, o nosso relacionamento e o nosso nível de satisfação alteram-se.

Se vires que tal, faz este exercício: lista as necessidades e escreve de que forma o teu relacionamento preenche cada uma delas. Se não estiveres em nenhum, pergunta-te de que forma, na tua vida, estás a preenchê-las!
E… Enamora-te. 😉

O segundo grande motivo que gostaria de realçar quando um relacionamento que tem amor termina ou está “para aí virado”, tem a ver com a sensação de falta de alinhamento.
Este pode ser sentido quando um ou mais dos teus valores é posto em causa, de alguma forma, com essa interação.

Por exemplo: imagina alguém que valoriza imenso a sua liberdade. E a outra pessoa é muito ciumenta, ao ponto de ter uma super necessidade de segurança (seria bom esta pessoa procurar entender essa emoção, mas isso é tema de outro artigo). Daqui podem claramente surgir problemas, na prática. De tal forma que a pessoa pode começar a sentir que a sua liberdade é “atingida”, e a certeza que tem na sua verdade, no seu sentir, de que a liberdade é extremamente importante, torna-se mais forte (internamente, nos seus pensamentos, nas emoções que daí advêm) do que o amor que possa sentir pela outra pessoa.

Se por ventura sentes algum desalinhamento, convido-te a listares os teus 5 principais valores (ex. liberdade, honestidade, amor, amizade, verdade, família, justiça, não julgamento, crescimento, etc.) e tentares perceber o que pode estar aqui a colidir na interação com o outro. Para que possas falar com @ teu mais que tudo e as coisas possam fluir, com um aumento de percepção de ti, da outra pessoa e do que estão a construir juntos.

Voltando ao início e concluindo: o amor “chega” sempre… pode é estar a ser posto em causa por crenças limitadoras, por hábitos, por ideias que “já eram” e teimam sair. Pode parecer que não chega, por não lhe estarmos a dar a devida atenção, neste mundo físico. Por não fazermos tudo o que podemos para que ele floresça.
Eventualmente pode não ser para se viver com essa pessoa. O amor também está sempre em movimento, tu sabes bem disso. E porque “chega”, sempre, a sua próxima paragem pode ser outra estrutura (dentro de um reinventar de relacionamento com a mesma pessoa, formando uma bela e forte amizade), e até outras paragens (outra pessoa, que por insondáveis caminhos acaba por te encontrar).

Seja por onde for, que o amor esteja sempre presente em ti também. ❤ 🙂

[BC]

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