Merecimento e amor

[Na Prática]

#amoremteoria#merecimento#bolinha

Sabes aqueles momentos (sobretudo depois de um período em que as coisas não corriam tanto como desejávamos) em que tudo é tão perfeito à nossa volta que parece que há uma certa estranheza no merecimento de tudo aquilo? Sabes do que falo? Já sentiste isso?
Sabes quando temos a sensação de que estamos a preparar-nos para sabotá-lo, sem saber muito bem porquê? 😉

Nas duas últimas semanas, tive oportunidade de estar num retiro de Mindfulness (já ouviste falar nesta arte maravilhosa de viver o agora, certo? :)). Ao longo dos dois fins-de-semana em que aconteceu, algumas ideias me foram surgindo… algumas certezas me foram assolando e algumas verdades foram sendo questionadas.

A meio de uma das práticas (meditativas), em que era suposto ficarmos atentos a algum desconforto (físico ou psicológico), dei por mim a viver uma situação muito caricata. Ora bem, num registo inicial de total tranquilidade e presença, comecei a dar por mim, à medida que era guiada pela meditação, a procurar algum desconforto que pudesse sentir. Naquele momento não sentia nenhum. A questão é: o que fiz com isso? Fui buscar à minha memória uma lista de desconfortos físicos que havia tido em tempos, na expectativa de saber lidar com eles. E ali estava eu, numa meditação, a tentar encaixar uma dor física que não existia, para a poder compreender e aceitar… Curioso, não é? 😀
O que é que isto tem a ver com o Amor? Percebi que aquilo que acabara de fazer, se encaixava como uma luva noutras áreas da minha vida. Assim, no final do retiro, cheguei a algumas conclusões, que me serviram de uma maneira muito especial. Espero que também a ti.

. Padrões – torna-se engraçado que, na ausência de “dor”, eu tenha feito questão de a procurar, só porque achava que a devia sentir, de alguma forma (relembro que o que me estavam a pedir era para identificar uma dor, no sentido de lhe prestar atenção). Na minha cabeça passavam coisas como: “Ninguém pode estar assim sentada durante este período sem sentir desconforto.”; “As coisas não podem ser assim tão simples.” A questão que se coloca é: quando toca a relações, pode ser igualmente estranha esta permanência de perfeição? Poderemos tender a ir buscar os padrões passados (que já conhecemos), só para nos sentirmos mais confortáveis ao lidar com eles? Por exemplo, receio de ser magoado, falta de merecimento, receio de magoar o outro, incerteza, o que for. É-nos mais fácil mantê-los, bem sei, mas para que nos servem?
Questão de ouro: Será que esses padrões encaixam nesta nova relação? Se calhar não. Até que ponto estamos a miná-la, sem sentido?

. Pensamentos | Emoções –  um outro pensamento durante essa prática, veio acompanhado de uma segurança estranha – se fosse mesmo preciso encontrar dor, eu sabia que a encontraria. Porquê? Porque se o decidisse fazer, eu própria criava condições (por vezes inconscientes) para que ela existisse.
Quantas vezes deste por ti a “sofrer por antecipação”? Um dos momentos mais brilhantes de todo esse retiro onde estive foi o momento em que em conversa sobre aquilo que eram as emoções que sentíamos, nos apercebíamos que elas surgiam apenas associadas a um pensamento. Ninguém estava verdadeiramente a viver a situação que gerava a emoção: tensão, irritação, frustração, medo, felicidade ou o que quer que fosse que a pessoa sentisse. Toda a gente sentia o que estava a sentir, apenas com base no pensamento que estava a criar. O que veio reforçar algo em que acredito verdadeiramente (ainda que nem sempre saiba lidar com isto de forma dissociada)… a maior parte do tempo que estamos a viver uma emoção em relação a uma situação, ela nem sequer está a acontecer. Geralmente sentimos a emoção em relação ao que foi (tristeza, felicidade, raiva, ou o que for) ou ao que está para vir (ansiedade, curiosidade, tensão, vibração… o que for). 🙂 Quantas vezes isto que estamos a pensar “fora do tempo”, nos influencia no momento em que estamos verdadeiramente na situação? Por vezes de forma positiva, noutras com um resultado um bocadinho diferente daquilo que esperávamos / desejávamos. Existirá consciência da nossa parte que fomos nós próprios que criamos o cenário que acabamos de viver?

. Desejo de mais e diferente – sabes quando estás a fazer algo pela primeira vez, é espectacular e a curiosidade que tinhas até a experimentares era gigante, mas depois de lá estares vezes repetidas, pensas assim: “Ok… já conheço isto, o que vem a seguir?”. Consegues perceber que esta permanente vontade de passar para o passo, experiência ou tarefa seguinte, nos inibe verdadeiramente de apreciar o momento presente?
Há tanta novidade que podemos experimentar mesmo no que já conhecemos, quando nos permitimos olhar para esse “hábito” com novos olhos e “mente de principiante”. Tanto que podemos aprender e usufruir… e quantas vezes simplesmente nos limitamos a estar a viver aquele momento com o “olho no próximo”. Ainda que a tentativa de omnipresença (esta nossa capacidade maravilhosa de estarmos (ou querermos estar) em “todo o lado”) seja uma coisa, na maior parte do tempo gratificante, pode ser, em muitos momentos, bastante desgastante. Gera uma certa insatisfação no momento presente, muito baseada no foco permanente do momento seguinte. Já pensaste como serias bem mais pleno se o teu foco estivesse no sítio certo, na hora certa?

Bom… tudo isto nos leva à questão inicial. A do desconforto face à nossa felicidade plena, por acrescentarmos todos estes “hóspedes” (padrões, pensamentos/emoções, sede de novidade) à nossa vida, de uma forma nem sempre construtiva. Todos eles devem ser bem-vindos na nossa casa (corpo), ainda assim, há que saber acolhê-los, percebê-los e orientá-los para aquilo que mais nos aproxima de quem somos e de quem queremos ser com a nossa metade.

Lembra-te de uma coisa: Isso que estás a sentir a ler este texto, será provavelmente apenas uma emoção despoletada por uma qualquer ligação que fizeste com alguma coisa do teu passado (que já aconteceu) ou que esperas que venha a acontecer no teu futuro (que será só depois…)! 🙂

O Outono traz-nos para mais perto desta hospedaria de emoções, creio que a maior parte de nós o sentirá.
Aproveita o que tens, como tens, aceita o que te dão, pois tu mereces e move-te apenas em função do que queres ter. Todas as estações trazem um propósito e todas elas são bem-vindas. ❤

[MJL]

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