[Na Prática]
“I would that we were, my beloved, white birds on the foam of the sea!”*
Olhando apenas e só para este verso, tão bonito, sinto a maravilha da comunhão de palavras que podem resumir o amor romântico: a ligação de natureza e sonho. Aqui é manifestado um desejo, tão amoroso, para abraçar com inocência e liberdade as emoções que naturalmente surgem. Abraçar o resultado de emoções fluídas ou selvagens… acima de tudo vividas de forma completa. É a aceitação por excelência…
Lindíssimo.
…E agora?
A poesia está no campo do sonho, mesmo se o seu tema for a natureza do ser humano. Os símbolos podem transportar-nos para imagens arquetípicas, as palavras, mais ou menos rebuscadas, permitem que cada um vá buscar o significado que procura – ou que está preparad@ para ver.
O que é que acontece se um poeta envia esta mensagem e não faz mais nada? A poesia, por não ser palpável, pode aproximar-se mais facilmente da ilusão…
Como vejo as coisas filtradas pelas minhas expectativas, experiências e crenças, nunca vejo a realidade em si. Este facto condiciona o que sinto e a minha experiência nesta vida (isto é válido para poetas sonhadores e “amantes” alvo da mensagem).
Há dias tive uma conversa muito interessante com um amigo. Ele dizia que, quando queremos alguma coisa, devemos transformar o “querer” em coisas que são “palpáveis”. Se quisermos felicidade, o melhor é perceber o que é essa felicidade. É, por exemplo, tranquilidade? Estar mais tranquilo com o que acontece?
É amor? Manifestado em quê? As palavras “mostrar e receber afecto”, seriam mais parecidas na prática com o que quero?
Esta ideia está longe de ser original. Na definição de objectivos, por exemplo, e especialmente em coaching, uma das pressuposições para a mesma é a especificidade…
Ainda assim… Quando partimos do sonho, do amor e dos relacionamentos, a palavra “especificidade” parece terminologia indigna deste território. Parece não combinar… Ou porque a experiência é tão subjetiva que uma definição parece mais uma limitação do que um (óbvio) potencial, (pressupondo, ainda por cima, trabalho a dois), ou porque basicamente não definimos o que queremos em relação a nada, muito menos para os relacionamentos presentes ou futuros. Lol
Então, a maior parte das pessoas é mesmo preguiçosa, e prefere dizer “Quero é ser feliz”, ou “Quero amor”… sem colocar o próprio sistema ao serviço deste querer. Quando um “Quero-te” já resumia o poema (e que bela especifidade esta, hum? :D)! Também pode acontecer o poeta não querer realmente “mais nada”, e sim apenas imortalizar o seu desejo por esta via. Ainda assim… para bem do próprio poeta sonhador, assumir a sua vulnerabilidade de forma directa pode ser altamente libertador…. É, acredita. 🙂
Infelizmente, “adoramos” generalizar, e muitas vezes essa generalização pode complicar-nos a vida… e trazer-nos mais dissabores do que os que poderiam existir.
Se quiseres o melhor dos dois mundos, contraria esta ideia! Muita inspiração está presente neste nosso espaço! Serve-te de tudo isto, do sonho, da poesia (que é de tod@s nós), dos vídeos, das ideias e depois, abre o coração sem estratégia, sem atalhos esburacados, sem meias verdades… Com aceitação do que é natural e muita coragem! Confia, aceita os teus sentimentos e voa!
❤
[BC]
*“I would that we were, my beloved, white birds on the foam of the sea!” Yeats
Em português: “Eu queria que fossemos, meu amado, pássaros brancos sob a espuma do mar”.
Há dias um dos nossos amigos na nossa página de Facebook (se ainda não fizeste “gosto”, aproveita para fazer agora! ) enviou-nos um desafio, para escrevermos sobre este verso de Yeats. Obrigada Henry!



“O que é que acontece se um poeta envia esta mensagem e não faz mais nada?”
Cyrano de Bergerac?
A famosa história de um amor profundo escondido em palavras arrebatadoras… tornadas realidade por uma segunda personagem (o que fez alguma coisa).
De facto, a poesia pode estar ali no meio, entre a ilusão e o sonho, o desejo e a realidade percepcionada. Seja o que for a realidade, ela é “filtradas pelas minhas expectativas, experiências e crenças, nunca vejo a realidade em si”, a poesia pode-se tornar numa forma de a interpretar e de a expressar. E pode até incendiar, iluminar ou inspirar algo palpável…
Gostei 🙂
🙂 “E [ a poesia] pode até incendiar, iluminar ou inspirar algo palpável…” e incendeia, inspira e ilumina, sem dúvida!!! E é tão bom que assim seja, não é? 🙂 Obrigada, querido Sérgio.