Sentir quem sou

[Na Prática]

Hoje sinto pouco, sinto pequeno e sinto em fracções. Às vezes, quando dou por ela, nem sei bem o que sinto. Sinto de acordo com o novo acordo ortográfico onde se retiram letras, se omitem hífenes e acentuação e, por outro lado, parece que se inventam palavras novas e esquisitas. Sinto diferente. E é bom senti-lo, o que quer que seja que isso significa. Significará que sinto, creio eu. Hoje sinto assim e hoje pode ser um dia qualquer…11733335_1131449270204711_424464952_n

Habitualmente, quando penso em mim, penso com mais certezas, com a segurança de quem conhece bem quem é, o que sente e o que quer. Depois há dias destes, em que não há uma resposta certa para nenhuma dessas questões ou essência do eu. Depois destes dias consigo conhecer-me ainda melhor.

Gosto do tema das emoções e conhecermos bem as nossas e deixá-las existir naquele momento em que aparecem, pode ser um dos melhores remédios para uma relação saudável. Primeiro connosco e depois com quem nos acompanha.

Todas as emoções têm um propósito. Quando vivemos uma determinada emoção associada a uma pessoa (às vezes nós próprios… :)), uma situação ou apenas a uma memória (que decidimos criar ou guardar), podemos perceber a forma como tal nos faz sentir. O que aprendemos com isso? Muito acerca de nós. 🙂 Como?

Alguma vez sentiste a familiaridade de uma experiência com a qual tiveste reacções completamente diferentes, em diferentes momentos da tua vida? O que achas que provocou diferentes reacções, se a situação e o contexto (externo), foi semelhante? Atrever-te-ias a dizer, comigo, que o que mudou foste tu? Consegues identificar exactamente o que é que em ti mudou?

Ficar atenta a mim, às minhas reacções e ao que estava por trás das mesmas, foi a melhor forma que encontrei de “estudar” este tema das emoções e de recebê-las (na maior parte das vezes), com carinho e aceitação. Mesmo quando achava que não me estavam a ser úteis, percebi que todas elas o são. Vejamos…

A tristeza faz-nos parar e pensar, reflectir, avaliar situações do nosso dia-a-dia que a estão a gerar. Faz-nos “pensar na vida”. 🙂

O medo esse leva-nos a antecipar, a distanciarmo-nos um pouco do que está para vir, avaliando quase os “prós e os contras” de aceitar ou rejeitar determinada situação / relação ou pessoa.

A raiva, essa leva-nos a agir, a ir para a direita ou esquerda… a enfrentar, a ir.

A aversão leva-nos a afastar-nos das coisas que não nos servem.

A alegria… ai a alegria. 🙂 Essa leva-nos a viver tudo intensamente e com entrega total. Na maior parte do tempo, sinto-me neste estado. E fico feliz por, no “restante” tempo, ir acedendo também às outras emoções. Sinto que me ajudam a equilibrar a energia e a minha vida, a avaliar de forma quase racional os processos (amorosos e não) por onde passo, e isso ajuda-me a dar passos mais consistentes em direcção a mim e, logo, em direcção a ti.

Às vezes vejo pessoas a permitirem-se ficar de forma consistente numa das emoções, como se não houvesse alternativa.

Algumas permitem que o medo lhes bloqueie as decisões que as podem fazer sentir emoções que, a dada altura, lhes podem ser mais úteis. Outras parecem viver num estado permanente de raiva (será insatisfação, apenas?), queixando-se de tudo e todos os que as rodeiam, sem espaço para ver tudo de bom que cada coisa e pessoa lhes traz também. Outras vivem num estado permanente de alegria (às vezes misturado com euforia), sem se permitirem, também, o seu lugar e espaço de reflexão e conhecimento (de si próprio e dos outros).

Acredito que todas elas estarão bem, pois todos os nossos comportamentos acontecem em busca da satisfação de uma qualquer necessidade.

Eu procuro permitir-me passar um pouco por cada uma das emoções, aceitando-as e reflectindo. Nestes momentos, em que consigo aceder a um estado mais “racional”, questiono-me acima de tudo sobre: o que está a acontecer aqui, comigo ou com esta pessoa, que faz com que me sinta assim? O que posso fazer para me sentir de outra forma?

Sabes qual o segredo? Às vezes basta apenas mudar o que estou a pensar, recriar memórias junto daquela pessoa para que a forma como me sinto, se aproxime mais do que quero sentir em mim, naquele momento.

Todos nós temos a capacidade de mudar a forma como nos sentimos, quer em relação a nós, quer em relação aos outros, se nos permitirmos olhar o mundo / situação / pessoa, com outras lentes.

Quantas vezes o fazes com consciência? Quantas vezes te permites sentir quem és, sem julgar?

Queres sentir quem és, hoje? 🙂

[MJL]

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3 thoughts on “Sentir quem sou

  1. É esta a frase que vou guardar… 😉
    “Sabes qual o segredo? Às vezes basta apenas mudar o que estou a pensar, recriar memórias junto daquela pessoa para que a forma como me sinto, se aproxime mais do que quero sentir em mim, naquele momento.”

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