Julgamento vs amor

[Na Prática]  [Na Ciência]

Às vezes ponho-me a pensar como é fácil julgar. Se te acontecer como me acontece, grande parte das vezes é sobre nós própri@s… “Devia ter feito isto…”, “Esqueci-me de… sou mesmo…!!”. Outras, o julgamento vai direitinho para outras pessoas. Já te apanhaste a julgar @ teu/tua mais-que-tudo?

Podemos definir “julgamento” neste contexto como a atribuição de valor a qualquer coisa, e aqui refiro-me ao julgamento negativo, de desvalorização, pelo seu caracter infeccioso. Um julgamento desta espécie expande-se quanto mais atenção lhe damos e conduz facilmente a sentimentos desinteressantes na pessoa “alvo”, se estiver a ouvir… e mesmo se não estiver. Quando julgamos, mesmo se não dissermos nada, o corpo grita. Às vezes pode ser uma palavra, um revirar de olhos, um “eu sabia que não eras capaz de…” , ou “É sempre a mesma história”, etc.

Em que é que a diminuição do outro é interessante? Será que se nos comportarmos a partir da nossa melhor versão, há lugar para este tipo de comportamento?
Pode parecer bom, se quisermos distanciamento dessa pessoa… Será sábio fazer isso com @ teu/tua namorad@? Será que temos noção real das implicações?

O mais engraçado é que na maior parte das vezes, o julgamento surge de forma natural, inconsciente. Ou por hábito ou porque as referências da pessoa – como o relacionamento dos pais ou de alguém visto como modelo continha este tipo de dinâmica. A questão é… se não estiveres atent@ e for recorrente, infecta-te de uma forma que torna menos fácil voltar atrás.

Começa por corroer o teu relacionamento aos bocadinhos. Um dia é uma piada inofensiva, noutro um franzir de sobrancelhas, a seguir a acusação, podendo até chegar ao insulto. Com a piada inofensiva ainda podes voltar atrás… Com o insulto, já geraste desencantamento. Em que o outro já está tão distante, que pode deixar mesmo de fazer parte de ti.
Tudo isto, por ser tão interessante e comum, tem sido amplamente estudado.

O psicólogo John Gottman distinguiu 4 comportamentos-tipo que prevêem o divórcio, no espaço de 6 anos, em média. E adivinha lá? Todos eles são 4 formas diferentes de julgar negativamente. São estes:

1. Crítica corrosiva, especialmente quando a pessoa é identificada com o comportamento, ex. “És isto ou aquilo…” “Já sabia que não podia contar…”, etc.
2. Desprezo ou desdém, especialmente visível em “revirar de olhos”, sarcasmo, tudo o que de alguma forma diminua a outra pessoa…
3. Agir à defesa “compulsivamente”, de alguma forma desculpando-se por não fazer algo que teria sido acordado, especialmente quando a desculpa for a outra pessoa. (ex. “Não fiz porque não me lembraste!”)
4. Criar uma barreira à comunicação, amuar e até ignorar o outro ou mostrar-lhe indiferença. Encerrar a comunicação com o outro muitas vezes é descrito como a resposta aos anteriores comportamentos e à indisponibilidade de comunicar demonstrada.

Fisiologicamente, promove o distanciamento do outro, trata-se exactamente o contrário da promoção dos neurónios espelho, onde está a empatia – onde se reforçam as coisas tão boas que, neste caso, o amor romântico tem. amor-julgamento

É curioso, pois quando julgamos assim, as coisas tendem a piorar. Não estou a falar de conversar sobre o que nos incomoda que esteja a acontecer na relação ou no comportamento da pessoa que está ao nosso lado. Repara, refiro-me a acusação, raiva (mostrada ou contida), ressentimento “amontoado”, coisas que bloqueiam a comunicação. Que de nenhuma forma promovem soluções.

“Criticism and resentment is like drinking poison and waiting for the other person to die.” Anónimo (e sábio)

Um dos possíveis antídotos para este tipo de hábito passa por desenvolver… novos hábitos! Primeiro: parar quando me apanho a julgar. Segundo, procurar aceitar. Aceitar o meu próprio comportamento com lucidez. E depois aceitar o que está a acontecer, a opinião do outro, se for esse o caso. Colocar-me no seu lugar. Utilizar a minha criatividade, se for preciso! 🙂

Entender que todos estamos aqui a fazer o melhor que podemos e temos já experiências, bagagem, hábitos, aumenta a nossa tolerância – quantas vezes nos chateamos por coisas que acabam por significar coisa nenhuma?
Eu sei que quando julgo, provavelmente alguma das minhas necessidades não está a ser satisfeita, talvez esteja com algum tipo de medo. E isso também passa por me entender a mim. O que estou a julgar pode até ter a ver com algo que é, acima de tudo, meu (ah… os espelhos nas relações!).
Depois disto, só depois, poderei procurar conversar com o meu amor descontraidamente, abrir o coração. Tudo isto em momentos livres de stress (não no momento em que estou a julgar ou chateada).

Vamos ficar atent@s às nossas necessidades e explorar medos? É que é demasiado fácil julgar. Remoer pensamentos negativos e atirá-los a alguém, faz mal em primeiro lugar a nós própri@s… (Um dia destes escrevemos sobre necessidades!)  Permanecermos atent@s é menos fácil e largamente recompensador, a todos os níveis. Pode ser uma oportunidade de mudança à espreita. 😉

Se não costumas julgar desta forma e achas que “sofres” com a influência de alguém que tem… fica atent@ às tuas necessidades. Procura entender o que se passa com a pessoa que está ao teu lado. Promove a comunicação sobre este assunto. Dá-lhe informação. Envia-lhe este artigo!

Acredito que é de cada um a responsabilidade de ser feliz, procurar a felicidade e de escolher promover a mesma, incluindo estar em sítios que possibilitam essa felicidade. E tu, acreditas?

[BC]


Ver Artigo sobre estudo de John Gottman

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2 thoughts on “Julgamento vs amor

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