Modelos amorosos

[Na Prática]

amor_teoria_FilipeAlemaoHoje vou escrever sobre algo que acontece a algumas pessoas, nas suas vidas amorosas. Trata-se da repetição de situações, contextos, emoções menos interessantes e até “estilos” de pessoas nos relacionamentos. E acima de tudo, a experiência desta repetição  relacionada com falta de harmonia.

Escrevo então sobre modelos e padrões de relacionamentos, como estes nos podem condicionar mesmo sem darmos conta, o que podemos fazer para ganharmos consciência sobre os mesmos e …potenciá-los!

Acredito que a maioria de nós já sabe ou ouviu falar que a dinâmica que se gera nos nossos relacionamentos amorosos pode ter muito a ver com o relacionamento (ou falta dele) dos nossos pais ou educadores (este assunto foi muito explorado e está relacionado com o que Freud chamou de “compulsão à repetição”).

Este “efeito” tem a ver com uma tendência para repetirmos padrões percepcionados e/ou emocionalmente vividos, especialmente na infância. Explica que muitas vezes nos sentimos atraídos pelo mesmo “tipo” de pessoas, situações, relacionamentos, para repetirmos experiências. Porque estamos programados dessa forma.

Reconhecermos os nossos padrões pode ser… incrível! Mesmo (ou especialmente) para quem tem tido experiências menos boas. Imagina, é este o teu caso, as coisas  – i.é, a forma como te sentes em relação a este assunto, e aquilo que potencialmente atrairás – só podem melhorar. Porque quanto mais questionamos de forma descritiva as situações – que é o que estamos aqui a fazer -, melhor as “encaixamos”. E depois disso, podemos deixá-las ir – se assim o quisermos.

Já te questionaste sobre o que o teu relacionamento (ou anteriores) têm em comum com o dos teus pais?
Se tiveres curiosidade sobre este assunto, faz este exercício:
Descreve, em 10 características, o relacionamento dos teus pais/educadores.

De seguida, pega noutro papel e descreve em 10 características o teu relacionamento (ou noutros vividos anteriormente e sejam relevantes para pensares agora).
Há alguma característica em comum? Em que sentido?

Se nesta reflexão encontraste comportamentos em comum, são tipologias que te agradam ou ao invés disso, têm potencial para te limitar?
De que forma?
Se for interessante quebrar esse padrão, o que podes fazer diferente e durante quanto tempo?

Só o facto de ganhares consciência, da presença ou não de padrões interessantes ou desinteressantes, já é fabuloso. Pois agora tens um ponto de partida. De gratidão e reflexão, independentemente do caso!

Claro que os padrões, até os negativos, têm utilidade… por exemplo, trazem-nos sensação de segurança. Às vezes até tratando-se de coisas que não gostamos, ficam como pedrinha no sapato…  habituamo-nos! Habituados, aparentemente estamos preparados lidar isso. Só que é uma segurançazinha… daquela que cria expectativa (de previsão, confirmação e até atracção do que pode acontecer de pior). Daquela que anula a surpresa, a espontaniedade, a inocência.

Esta reflexão é útil, na medida em que podemos agora entender, na pele, que os nossos pais fizeram o melhor que podiam, tendo em conta o que sentiam, o que sabiam e as suas próprias referências. Mesmo que para algumas pessoas possa parecer pouco, não estavam efectivamente no lugar deles para poder fazer diferente, pois não?

E é útil também… porque dá descanso ao coração. Quando elevamos o nível de tolerância, o nosso coração relaxa. Ao sentirmos melhor, pensamos melhor e vice versa. 🙂

É engraçado… porque durante anos me distanciei do relacionamento dos meus pais enquanto modelo. De forma muito consciente, escolhi fazer o contrário de coisas óbvias que assisti. Até recentemente me aperceber, que afinal ainda repeti. Olhando para trás, lá estava eu… a repetir sobretudo estados emocionais (e, vá lá, um ou outro comportamento lol).

E digo que é engraçado, porque depois desta reflexão, assumi que há efetivamente coisas em comum, e que algumas até me servem/serviram. De tal forma, que gostaria de manter. Refletir neste assunto, trouxe-me a tolerância que precisava para entender as coisas boas presentes neste meu modelo. E depois disto, já pude e poderei ultrapassar o que é desinteressante.

Pode passar-te pela cabeça: “Ok, então se tivermos um modelo de relacionamento que consideramos “bom”, fixe, pois isso quer dizer que vou repetir esse modelo”.
Pois, parece que sim. Qual é o possível problema disto? As expectativas. O imaginado “conto de fadas”. O facto de se tratarem de pessoas diferentes das do modelo! E se por acaso desenvolvermos uma lista de desejos tipo caixa fechada… é difícil o amor entrar.

Esta caixa limitadora pode ter “Prices of admisson” rígidos. “Cenas” de menin@s mimados. Coisas como: “Eu Nunca vou permitir…. bla bla bla” ou “Ah, o meu pai nunca fez isto assim, só assado, portanto…” “Comigo, tem de ser desta forma… bla bla bla bla”.

É bom, enquanto gerar boa energia, e não cobrança. (O amor está pouco interessado em regras ou em medos ou necessidades de controlo.)

E sinceramente… o modelo só existe por ser percebido assim, e apoderado por ti. Só mesmo cada uma das pessoas num relacionamento sabe o que por lá se passa. Para quê ter modelos?  Parece-me  bem mais atrativa a ideia de construir (ou reconstruir, se for o caso) um relacionamento só meu e do meu mais que tudo. Um relacionamento real, entre duas pessoas únicas, com consciência q.b. sobre si próprias, sobre a pessoa que está ao seu lado, e sobre o relacionamento. Pessoas, que, se quiserem, podem mudar a dinâmica vivida, quando esta não é o que querem. Felizmente, cada vez mais pessoas já decidem viver assim o amor.

Eu não sei se este assunto te interessa tanto como a mim, simplesmente, acredito que é mesmo, mesmo muito importante termos noção do que sentimos e estamos a fazer nos nossos relacionamentos. Nós próprios, sem esperar que o outro faça (porque tu és a única pessoa que realmente pode dirigir e/ou mudar. Sabes disso, certo? Lol).

Acima de tudo e finalizando: reconhecer e mudar conscientemente um padrão que não nos serve, é exercermos a nossa liberdade. Aquela que nos permite escolher aquilo que queremos, e não aquilo para que estamos programados.
Votos de escolhas conscientes para ti, sempre com amor! 🙂

[BC]

Fotografia: Filipe Alemão

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3 thoughts on “Modelos amorosos

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