Querer o nosso querer

[Na Prática]

Quando pensamos na prática, por vezes torna-se desafiante traduzi-la na teoria… sobretudo quando nela [na prática] algumas ideias / emoções se misturam… 🙂receber_amor_dentro

Vou-me agarrar a uma ideia que me acompanha desde o início do Amor em Teoria, na expectativa de que traduza melhor a “emoção” de que quero falar: a arte de querer o nosso querer, de alguma forma misturada com uma outra… a de aceitar a nossa intuição (a intraduzível vontade de querer algo / alguém, sem questionar).

Tenho consciência de quando é claro para mim o que desejo, canalizo a minha atenção e energia para isso e aumento a probabilidade de lá chegar.

Também nas relações, começar por perceber exactamente o que é importante para nós – os chamados “factores críticos de sucesso” a dois, ajuda-nos de forma muito simples a “arrumar ideias” e, mais do que isso, a perceber o que é essencial (para nós) que aconteça quando pensamos em alguém como a nossa metade. Melhor do que isso, dá-nos a liberdade e o espaço de o partilhar com o outro lado, na expectativa de percebermos se até nisso (e essencialmente nisso), estamos alinhados – partilhar o nosso “Price of Admission“. Sabemos que quando conhecemos (ou nos aproximamos) de um novo alguém reafirmamos a nossa vontade de estar com a pessoa, se percebemos que ela nos acompanha nestas que são as nossas “referências” e outras vezes, algumas areias entram na engrenagem simplesmente porque a pessoa age de um modo que não esperávamos – este é o momento de definirmos os nossos “dealbreakers”, com reflexão sobre o que é mais importante, verdadeiramente… manter a pessoa e abdicar de algum “critério”, ou abdicar da pessoa?

Este é o momento que nos conduz ao querer o nosso querer. 🙂

Todos nós já nos teremos cruzado com uma ou mais pessoas na nossa vida que traduzem de forma muito simples, no seu comportamento, as atitudes que consideramos ideais para um parceiro e também, num ou noutro momento, teremos dito e/ou pensado: “é a pessoa ideal, mas…”.

A questão que se coloca é… porque motivo é que isto acontece? Esta reflexão é habitualmente tema de conversa. De uma forma simples alguém toma consciência de que poderia até ter encontrado a sua pessoa ideal (de acordo com o “caderno de encargos” 😀 desenhado), no entanto há uma “areia na engrenagem”, um “mas”. Quando surge o primeiro “mas”, é fácil desconstruí-lo, pensar que o nosso histórico, receios, idealismos podem estar a fazer-nos “pensar” um pouco mais sobre o tema. Com este “mas” é fácil lidar. É um trabalho a dois. É o momento em que cada um expõe as suas “feridas”, as suas incertezas e inseguranças, em que se clarifica as suas intenções, o seu desejo e vontade. Depois deste “mas”, tudo o resto pode vir… e virá mais claro, mais robusto, mais a dois (se esse foi o caminho escolhido por ambos). É o momento em que escolhemos de forma simples e comprometida “querer o nosso querer”.

A questão é quando mesmo assim, depois de um “mas” (resolvido), continuam a vir outros “mas”. Ao ler este fabuloso artigo de Mark Manson, há uns dias atrás, alguns pontos nesta questão do amor ficaram mais claros para mim. De uma forma lógica, objectiva e até acutilante, Mark Manson convida @ “enamorad@” a chegar a uma conclusão, quando existe uma área “cinzenta” na sua “relação”, em que estes “mas” insistem em permanecer. Traduz-se em qualquer coisa como isto: se não tens uma vontade louca de te atirar de cabeça e de te agarrar a algo e ir, então é um não! 🙂 Esta lógica simples de lidar com a nossa incerteza em relação ao outro ou com a incerteza do outro em relação a nós, é verdadeiramente poderosa pois, se o outro faz o mesmo, então provavelmente também será um não.

E quando temos a certeza sobre se “é” ou “não”? Quando não há hesitações. Quando no momento imediato em que estamos ou temos a possibilidade de estar com a pessoa é um “sim” bem redondo e inquestionável. Esta abordagem tranquiliza-me. É simples e faz-me mesmo sentido.

A verdade é que quando ainda estamos na fase do primeiro “mas”, podemos escolher de que cor vamos pintar aquela relação, e é neste momento que está a magia. 🙂 O momento em que dois opostos compatíveis se estarão a conhecer e a adaptar e aceitar (de braços abertos) aquilo que cada um trará ao outro. O momento em que escolhem o seu “querer” e se dedicam a ele, pois o “sim” os conduz a fazer isso. Quando o que vês te leva a uma reacção imediata, quando a vontade que tens de estar com essa pessoa é inquestionável, quando não é abalada por inseguranças outrora criadas, quando tens vontade de correr o mundo por essa pessoa e para essa pessoa…

Quando tudo isto acontece – VAI. 🙂

A magia está em conseguir conjugar o momento certo com a pessoa certa. E aí sim, reside a arte, sorte, magia. O que lhe quiseres chamar. Eu gosto de lhe chamar escolha & dedicação.

Não te prendas ao “tem de ser”, vai atrás do teu querer… se é um inquestionável “sim”, atreve-te e dá já o salto. 🙂

Se é um mais ou menos… volta atrás e dá cor à tua vida. 🙂

[MJL]

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One thought on “Querer o nosso querer

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