Amor em queda livre

[Na Prática]

amor_q_livreTenho medo de cair e de me magoar. Sempre tive. Nunca parti nada no meu corpo e a possibilidade disso acontecer e me deixar “imobilizada” (por algum tempo, de forma mais ou menos limitada), bloqueia a experimentação de algumas actividades que poderiam vir a ter enorme potencial na minha vida e que rapidamente me fariam voar e sentir o vento no meu rosto, como se o tempo não existisse.

Caí duas vezes na minha vida (sim, apenas duas, à seria…) e sempre que voltava a experimentar a actividade, enchia-me de reservas, medos e inseguranças. Algumas vezes recrimino-me por não ter a coragem de as experimentar / ou nelas melhorar. Noutras penso simplesmente que não tenho de as saber fazer da mesma forma que os outros, pois tudo o resto que sei e faço, me deixa feliz e satisfeita. E está tudo bem…

Mesmo assim, continua a saltar na minha cabeça a frase… “Se eu me atrevesse, o que ganharia com isso, ainda que corra um sério risco de me voltar a magoar?”

Quando penso em relações e nas conversas que já tive sobre este tema, penso na dualidade deste medo vs vontade louca de voltar a experimentar.

Quantos de nós já vivemos pelo menos um grande amor na sua vida? Quantos já vivemos vários? Todos nós temos uma história. Uma história que envolve, com certeza, diferentes emoções e que condiciona de forma directa (na medida em que o permitimos), a maneira como lidamos com as novas relações que surgem na nossa vida.

A questão é: o que é que fazemos com esta história, este nosso passado? Deixamos que nos bloqueie pelo medo que os velhos hábitos que não funcionaram se repitam, que voltem a minar uma relação que aparentemente tem tudo para que funcione? Ou, por outro lado atiramo-nos de cabeça, em queda livre, permitindo-nos aproveitar a viagem, a adrelina que nos dá e a paz da certeza que encontramos quando o “pára-quedas” se abre e pensamos “é mesmo isto”? 🙂

O que fazemos com a história que criamos até então, condicionará veemente a história que continuamos a desenhar. Não raras vezes ouço pessoas a falar com algum rancor, dor e ressentimento associado à pessoa de quem acabaram de se separar (ou de quem se separaram há uma “eternidade”), criando um vazio e distanciamento tal, como se nunca tivessem estado juntas, criticando, julgando, penalizando e arrependendo-se de forma gigante do envolvimento. Será talvez um bom mecanismo de defesa para recuperar mais rapidamente de todo o processo e poder fazer o “encerramento” da coisa, para essas pessoas. Compreendo, é a sua história.

Penso nisto de forma um bocadinho diferente… com a certeza de que todas as pessoas passam por nós por algum motivo. Gosto de pensar que não há acasos. Cada vivência que temos com alguém representa apenas aquilo que deve representar. O que é que isso significa? Que é importante olharmos para cada uma destas pessoas que passou por nós (romanticamente ou não) e perceber de que forma nos terá marcado. Porque motivo entrou esta pessoa na nossa vida? Quais foram as grandes aprendizagens com esta relação (mais do que “o que aprendi com a pessoa”)? Às vezes percebemos que há coisas que são mais importantes para nós do que alguma vez imaginamos e outras, às quais atribuíamos uma grande importância em tempos, que perdem significativamente o relevo na nossa vida.

Quando pensamos desta forma, aquilo que foram as nossas histórias / relações passadas são potencialmente mais construtivas do que bloqueadoras de relações no nosso presente. Aceitamos e evoluímos.

Ao fazer este exercício em relação ao passado, aumentamos a abertura que pode existir para novos e saudáveis relacionamentos. Se ficar claro que cada pessoa é uma pessoa e que a história que nos trará e ajudará a construir será também a sua história, podemos fazer tudo para que corra bem. 🙂 Os nossos níveis de receio tenderão a reduzir e estamos mais disponíveis para dar o salto – juntos. Percebemos o que aconteceu no passado que nos foi útil a nós, o que nos fez verdadeiramente felizes, o que não queremos repetir e o que nos assusta. Quando encontramos a pessoa com quem queremos dar o salto, podemos ser sinceros, mostrar a nossa vulnerabilidade (link) e partilhá-lo, aumentando a probabilidade de juntos, desafiarmos a lógica do amor e “saltarmos”. Se for fácil falar disto, será provavelmente muito fácil vivê-lo ajustando as asas em função do “vento”.

Tenho trabalhado o meu medo de cair. Experimentei fazê-lo com algo que me dá gozo e liberdade. Com algo que faz com que a queda e a “dor” valha a pena. Neste caso a dança. Aprendi a cair bem, a cair cada vez melhor até que a dor deixe de o ser. Ainda assim, tenho consciência de ter um longo caminho a percorrer até a frase “detesto que me tirem o chão dos pés” deixe de existir nas actividades físicas, pois nas emocionais, adoro que o façam. 🙂

Voltando à pergunta do início: “Se eu me atrevesse, o que ganharia com isso, ainda que corra um sério risco de me voltar a magoar?”

Fica a resposta, directa do coração: Ganho a experiência, a vivência. A doçura de conseguir e a adrenalina de ter tentado.

Se podem voltar a haver lágrimas se houver queda? Sim, podem. Prefiro tê-las por tentar do que por não me atrever.

Sabes o que pode haver também? A coragem de levantar enquanto saboreias as lágrimas quando chegarem ao teu sorriso, pois acabaste de aprender com uma nova queda. São todas diferentes, sabias?

Aperta o cinto, confia no teu amor e… salta! 🙂

[MJL]

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