[Nas Artes]
A Chegada do Amor
O amor chegou, e desembarcou no cais,
onde ninguém o esperava, fazendo
a cidade inteira estremecer, como se
o amor a tocasse.
Mas alguém o viu sair
do barco, e levou-o para a fila
da alfândega, onde lhe perguntaram: «Donde
vem? Que traz consigo? Mostre
o passaporte.» O amor não percebeu
o que lhe pediam; pôs o arco sobre
a mesa, e juntou-lhe as flechas.
Tudo apreendido: não queremos agressões
nesta cidade; proibidas as armas brancas. E
o amor, sem passaporte, ficou no cais,
por entre sacos de lixo e vagabundos
sem nada para fazer.
E à noite, quando a cidade
adormece, todos perguntam
quando chega o amor.
Nuno Júdice




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