Não procures o que já é

procurar_amor

[Nas Artes]

A Chegada do Amor

O amor chegou, e desembarcou no cais,
onde ninguém o esperava, fazendo
a cidade inteira estremecer, como se
o amor a tocasse.

Mas alguém o viu sair
do barco, e levou-o para a fila
da alfândega, onde lhe perguntaram: «Donde
vem? Que traz consigo? Mostre
o passaporte.» O amor não percebeu
o que lhe pediam; pôs o arco sobre
a mesa, e juntou-lhe as flechas.

Tudo apreendido: não queremos agressões
nesta cidade; proibidas as armas brancas. E
o amor, sem passaporte, ficou no cais,
por entre sacos de lixo e vagabundos
sem nada para fazer.

E à noite, quando a cidade
adormece, todos perguntam
quando chega o amor.

Nuno Júdice

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2 thoughts on “Não procures o que já é

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